AVENTURA EM INDAIATUBA

O final do ano terminando, Natal chegando e este ano faríamos uma coisa diferente. Nossas meias estariam na lareira em Indaiatuba, São Paulo, esperando o Papai Noel passar e deixar o nosso presentinho por lá.

Nosso primeiro Natal que passaríamos longe de mães, pais, irmão, cunhados e parentes. Sempre necessário registrar que não há nada contra os citados acima, apenas resolvemos que passaríamos a festa mais importante do ano para as crianças, registra-se, juntamente com os nossos compadres e afilhados. Tudo organizado com antecedência (abril para ser mais preciso, quando as passagens foram compradas), malas prontas, cachorra despachada para o hotel e a ansiedade das crianças devidamente controlada (mentiroso!). “Partiu aeroporto”, gritou um; “pegaram todas as coisas”, disse quem manda (a esposa); “quanto tempo vai levar para chegarmos em São Paulo”, falaram os dois filhos como se tivessem combinado.

Voo tranquilo (se é que dá para afirmar isso ao voar espremido como se estivesse dentro de uma lata de sardinha) sem atrasos e pousamos na Terra da Garoa, que neste dia resolveu nos brindar com muito mais que chuva mansa e fina. Espera a manada sair do avião e olha que se fosse permitido, quando as rodas tocassem o solo, já teria gente parado na porta esperando para abrir; desembarca, pega mala e espera o Dindo chegar no aeroporto para nos buscar. Nem vou dizer que ele ficou preso no trânsito, pois em São Paulo deslocamento por carro e movimento nem sempre quer dizer a mesma coisa. Mas não há o que reclamar, ao contrário, só agradecer, pois os compadres andaram 100 quilômetros para nos pegar e depois “despachar” no aeroporto.

Em tempo, chegamos em Guarulhos no dia 21 de dezembro, se é que já não escrevi. Se escrevi azar o teu que está lendo novamente, pois não vou lá apagar e nem arrumar, mesmo estando sem rabiscar a quase um mês. Enfim, voltemos ao que interessa (espero que alguém, além de mim, esteja lendo isso e continue, pois não chegou na cereja do bolo da história). Só para atirar aqui e não deixar o parágrafo magrinho: voltamos ao Rio Grande do Sul no dia 25 de dezembro de noite.

Viagem curta que nem coice de porco, mas intensa. E não tão longa para deixar os donos da casa de saco cheio.

Não preciso nem dizer que as crianças estavam ansiosas, que nem gordo no balcão de doces, para chegar e ver os “primos” e a Dinda, que ficou em Indaiatuba nos esperando. Viagem de uma hora e pouquinho que conversamos bastante e já fomos organizando a agenda da estadia com as atividades a serem realizadas. Com direito a parada na estrada para as crianças fazer aquele xixi amigo. Já no dia 22 (dezembro, óbvio) o bicho ia pegar, só não sabia que no sentido literal da palavra e, no caso, para o meu lado.

Acordamos na quinta-feira (dia 22, caralho, presta atenção), galera tomou aquele café dos campeões e partimos para o haras. Nosso afilhado tinha uma aula de equitação para recuperar. Aula recuperada, todas as crianças andaram a cavalo, brincaram correram e se divertiram. A tarde a brincadeira seria muito mais radical, pois a criançada ia andar de mini moto, hora de acelerar, “voar as tranças” e eu tomar no seco sem precedentes. Foi o início do meu calvário…

Eu nem vou comentar o nível de ansiedade dos meus dois filhos com essa história de mini moto, pois só de relembrar já ataca a úlcera dos mais nervosos. Chegou a tarde! O Dindo pegou a motoca, as crianças corriam em volta e eu peguei o equipamento fotográfico, afinal de contas, o registro tem que ser feito do passeio da família. Um calor que Deus mandou para aquela Indaiatuba, sol rachando a moringa e partimos para o local da aventura – o campo de futebol – onde a gurizada ia colocar a teste suas habilidades, o Dindo sua resistência física (pois foi correndo atrás com uma corda para ninguém andar sem rumo por aí) e eu a lei da gravidade.

Andou o nosso afilhado mais velho, o mais novo e chegou a vez do meu – o nosso, para a mãe não ficar braba – primogênito acelerar a super mini moto de corrida de terra. Porém, antes eu vou abrir um parêntese (sempre abro), até para evitar que “Joãozinho do Passo Certo” venha nos chamar de irresponsáveis por deixar as crianças andarem de moto sem proteção, todos andaram devidamente equipados. Voltemos. O pequeno se preparou, colocou capacete e começou as suas primeiras voltas na moto. Neste meio tempo, entre os preparativos do mais velho (meu filho) e o início da volta em si, me fui para o meio do campo me sentar e posicionar para começar a fotografar. Uma, duas, três, quatro, cinco, dez fotos e no início da segunda volta do meu piloto o acelerador tranca na hora que ele vai fazer a curva da vitória para ganhar a grande reta e levar a bandeirada final. Quando ele sentiu que ia bater começou a gritar – normal caralho, nunca tinha andando de moto – e eu vendo que o muro seria o destino me levantei instintivamente e corri…

– Nossa, tu estás bem? Foi a pergunta do meu compadre.

– Não estou conseguindo respirar direito e acho que quebrei a clavícula ou desloquei o ombro. Foi o que eu consegui dizer tentando puxar o ar para respirar.

Não, tu não estás lendo errado! Graças a Deus com o primogênito nada aconteceu, exceto o susto. Em compensação, me estrepei legal, bem ao estilo que foi o ano de 2016, só merda. Como disse acima, quando vi que o pequeno ia cair me levantei para tentar salvá-lo (pai tende a superproteger sua prole, é fato); até aí não tem novidade, afinal de contas, qual é o pai que vai querer ver o filho se machucar? Agora imagina um mastodonte, de quase dois metros de altura e “XXX“ quilos, saindo do ponto de inércia e querendo correr mais rápido que o Usain Bolt… pois é, com todo aquela elegância e malícia me levantei e na velocidade duas vezes mais rápida comecei a “tastavear” (procura o que quer dizer) e a gravidade fazendo o seu serviço de me colocar no chão novamente. Só que nestes milésimos de segundos ou não tão rápido assim, tentei me desvencilhar da máquina fotográfica e como vi que isso não seria possível e que muito em breve estaria caindo de cara no chão, com dentes para um lado, máquina e lentes para outro resolvi usar os meus extintos, que estavam guardados desde os tempos de judô – sabia que seriam úteis um dia – e resolvi dar um rolinho, ou seja, rolar por cima do ombro, preservando assim os meus dentes e acima de tudo, a máquina fotográfica e lentes (duas perdas totais de equipamento no ano seria demais), fazendo que a queda não causasse danos maiores.

Em partes os objetivos foram alcançados com esta forma de cair que é uma das primeiras coisas que se aprende no Judô: os dentes e a máquina foram preservados. Após o compadre constatar que nem o ombro fora deslocado e nem clavícula quebrada com a queda, a dificuldade em respirar e a dor – tipo estiramento muscular – continuava. Mas como fazia cinco minutos do ocorrido, pensamos que passaria com o tempo, mas nos enganamos redondamente e como cheguei em São Paulo com uma tosse alérgica, cada cof-cof era como se tivessem dando uma facada nos peitos (eu acho, pois nunca levei uma facada). Bem Sr. Sortudo, talvez tuas costelas não tenham resistido a queda de jaca podre, mas resolvi que esperaria até o outro dia. Mas como uma vez me disseram que depois que o homem casa deixa de mandar em si e em qualquer outra coisa, juntamente com a noite a dor foi piorando e testamos mais uma lei da vida: “não deixa para amanhã o que você pode fazer hoje”.

E lá me fui, em menos de 24 horas de estadia em Indaiatuba, conhecer o pronto-socorro da cidade. Vale registrar aqui que muitas cidades, inclusive a que eu moro, deveria se espelhar no atendimento e organização do serviço público da “Cidade dos Indaiás”. Da chegada e cadastro, triagem, atendimento médico, injeção, raio x, volta no médico e saída não levamos mais do que uma hora.

E como tu estás? Continuo fodido, tossindo e com uma infecção pulmonar, que é assunto para um outro causo. O que importa é que não desloquei o ombro; não quebrei a clavícula, os dentes, a máquina fotográfica e nem as costelas. É vida que segue!

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2 comentários em “AVENTURA EM INDAIATUBA”

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