SÃO LEOPOLDO BANG-BANG

A cidade Capilé, que fica situada na região do Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, que em outrora já foi pujante e atraia investimentos, indústrias, empregos e pessoas; infelizmente hoje está um lixo! E a impressão que se tem é que está participando de algum campeonato macabro para ver se conseguem bater o recorde de um homicídio por dia.

Não chegamos à metade do mês e as páginas policias já contam com seis homicídios, um latrocínio e mais um corpo localizado nas águas do Rio dos Sinos. Até o dia 05 de janeiro estava sendo uma morte violenta por dia. Ontem (09) foram dois homicídios no mesmo bairro, no mesmo condomínio, e com a Delegacia de Homicídios investigando uma “possível relação entre os dois crimes” e não descarta que uma das vítimas tenha sido morta por engano: “dadas as coincidências de nome, idade e local dos crimes”.

Nas demais cidades do país as reportagens na virada do ano são sempre quem foi o primeiro bebê a nascer na cidade. Já na cidade de São Leopoldo, nem bem 2017 tinha dado os primeiros passos e a notícia não foi de nascimento, mas sim do primeiro homicídio na cidade, onde A. L. R, 51 anos, foi morto ao chegar em casa no Bairro Vicentina. A suspeita cai em cima do genro, por motivos ainda não conhecidos.

Quanto você acha que foi apenas uma coincidência macabra do primeiro dia do ano começar de forma violenta, os moradores da cidade amanhecem com a notícia – no dia 03 de janeiro – que uma jovem de 33 anos, estudante, ativista pela causa animal é encontrada morta dentro do carro com tiro à queima-roupa disparado no rosto e facadas desferidas no pescoço, tórax e nos braços. Mais uma vida perdida de forma trágica e violenta, uma pessoa sem antecedentes criminais. Não deve ser a toa que o Bairro São Miguel, em São Leopoldo, já está sendo chamado de “Faixa de Gaza”.

O Rio dos Sinos, que já teve suas águas límpidas e frequentado pela população no verão para banhar-se e fugir do verão que desde longe sempre castiga o povo Leopoldense, no dia 04 de janeiro foi o palco de mais uma morte sem muitas explicações. O que se sabe é que o corpo encontrado não estava apenas nadando, pois não teria necessidade de ter uma corda amarrada em sua perna esquerda. Logo, o caso é tratado como homicídio. Contabilizando?

Quando o trabalhador de bem sai de casa, para buscar o sustento seu e de sua família, o que se espera é que no final do dia possa voltar ao conforto do seu lar e aos braços da sua família. Correto? Não em São Leopoldo, pois se corre o risco de ter o mesmo destino do motorista, que no dia 05 de janeiro foi fazer suas entregas e teve sua vida ceifada por dois marginais na Vila Brás, que assassinaram o motorista, de 58 anos, com um tiro na cabeça.

Para cinco dias de um ano que está apenas começando já não seria o suficiente? É o que desejaria um filho de 13 anos que viu, no dia 08 de janeiro seu pai ser alvejado por cinco tiros no Bairro Santa Marta (Loteamento Tancredo Neves), nas costas e mãos, morrendo no local. O algoz não satisfeito atira no filho da vítima, que por sorte não corre risco de vida, mesmo tendo o projétil entrado na bochecha e saído perto da orelha. A tragédia, que já está anunciada, poderia ter sido muito maior. Motivos para o crime ainda são investigados e o matador fugiu do local.

E ontem, na “Faixa de Gaza”, mais dois homicídios são realizados, com diferença de pouco mais de 10 horas. O primeiro, pela manhã, L. M. K. (22), sem antecedentes criminais, leva dois tiros disparados por um motociclista, por volta das 13h, é alvejado dentro do pátio do condomínio, no Bairro São Miguel. E para encerrar a noite do dia 10, por volta das 22h, L. E .S (21), com vários antecedentes criminais (roubo, tráfico de drogas e homicídio) foi alvejado por vários disparos, sendo três deles na cabeça. A localidade é conhecida por ser ponto de tráfico na cidade e, também, a polícia não descarta que o assassinato da manhã tenha sido realizado por engano, tendo em vista “as coincidências de nome, idade e local dos crimes”.

A violência está tão enraizada em nossa cultura, tão banalizada, e a certeza de impunidade tão certa, que a vagabundagem sai para matar como se fosse no boteco da esquina comprar um maço de cigarro e um pacote de bala. O mais triste é que depois desta quantidade de homicídios não se vê nenhuma autoridade – e não falo aqui da policial, pois essa vem trabalhando incansavelmente, dia e noite, para tentar amenizar as lambanças que acontecem – seja no plano jurídico ou político, tomando alguma providência. O Secretário de Segurança do Estado, mudo; o Governador do RS perdido, como desde o dia que assumiu o poder no estado.

Enquanto os marginais estiverem se matando entre eles, sem envolver a população, trabalhadores e pais de família… Bem, não é o ideal e nem o correto, que continuem. Agora o problema é quando pessoas inocentes, trabalhadoras e pais (mães) de família tombam – inclusive, na frente dos seus filhos – e o Estado continua letárgico, leniente e conivente com isso tudo!

O que será necessário mais acontecer na cidade de São Leopoldo para que as autoridades efetivamente resolvam tomar uma providência? Ou vão esperar chegar dia 31 de dezembro para emitir uma nota lamentando que os índices de violência na cidade chegaram a níveis “nunca antes vistos neste país” de 365 mortes em um ano? Esse é o tipo de competição e de recordes que a grande maioria da população Capilé não quer saber, não quer participar e muito menos fazer parte dela.

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