PACIÊNCIA

Aí está uma coisa que eu gostaria de ter, além do dinheiro, claro, é a paciência.

Os engraçadinhos dizem que a paciência é um dom. Os metidos a sábios gostam de pregar que ela só vem com tempo. E eu vou dizer que teria me dado bem na época do velho oeste, onde se decidia a coisa na bala ou na bordoada. Porém, o risco era de eu não ter durado muito naquela época.

E tem uma séria de coisas intangíveis, com se fosse um campo de força, que não deixa a serenidade chegar, pois como já deve ter dado para notar nestas 106 palavras digitadas, que nasci sem essa virtude, e nem o tempo fez com que a paciência fosse minha aliada.

Claro que venho melhorando, é verdade, além do mais se for comparar com os tempos da adolescência, cuja tolerância em uma escala… É. Naquela época não tinha escala! Mas depois desta fase que nem sempre é fácil para a gurizada o aprendizado, a responsabilidade e alguns dissabores me deixaram mais irritado e impaciente do que antes. Talvez seja isso que tenha me feito nascer prematuro, já não aguentava aquela paradinha de nadar para lá e nadar para cá, espaço apertado, apertei a tecla de “para o mundo que agora eu vou sair”.

Faculdade, trabalho e responsabilidade – não que antes eu não tinha, sempre fui impaciente, não irresponsável – são tudo que um homem deseja. Mas como a minha mãe sempre me dizia que eu não era todo mundo, acho que serviu para isso também. Na faculdade nunca tive paciência para aturar a falta de objetividade de alguns professores e no trabalho a incompetência de alguns colegas e a graciosidade de alguns gestores. Mas com a idade vem à responsabilidade, se não já teria deixado gestor que tinha 52 dentes com os 32, que são corretamente planejados pelo Criador.

Os filhos foram um esteio neste lance de ter paciência. Posso dizer que hoje sou quase um “zen budista”. Os invejosos vão dizer que é mentira, mas tenho orgulho de conseguir contar até seis antes dar aquela chamada, de deixar os pequenos que nem respiram e com aqueles olhos esbugalhados. Orgulhoso de mim!

Agora tudo que falei de ter a paciência de um budista cair por terra quando tenho que repetir mais de uma vez a mesma coisa, não sou professor – sim, vou ouvir da classe, além do mais casado com uma – para estar reiterando a toda hora o que acabei de dizer a um minuto atrás. Criança mal criada então? É um parágrafo a parte.

Não sei o que está acontecendo com alguns pais hoje em dia, que educar é o que menos fazem, e claro, quando não largam no colo dos professores – agora acho que vou me redimir – achando que a escola é lugar de dar educação. Mas enfim, isso é história para outra hora.

Juntamente com a paciência, ou melhor, a falta dela, vem a sua companheira: a gastrite nervosa. E ela acaba trazendo, além dos gases e arrotos – olha lá os sintomas dessa coisa –, à ansiedade. Enfim, é uma delícia, e ainda querem que o cidadão tenha paciência.

Quando vomitam que a paciência é uma virtude, já digo que isso foi um item de série o qual não veio instalado quando nasci. Agora é esperar se junto com a idade posso contar com ela também.

Quer saber? Chega!

 

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