A RESPOSTA CHEGOU

       A tão esperada resposta chegou, na terça-feira (21), antes do sétimo dia como prazo estipulado pela empresa e três dias depois da minha expectativa.

       Para quem não sabe essa história da ansiedade e de qual resposta me refiro, dê um pulo no texto anterior. Para você não ter que ficar procurando, clica aqui que vai abrir uma outra janela e poderá se situar.

Leu lá? Então prosseguimos por aqui!

Não adiantou conter a ansiedade, mas enfim, a resposta chegou, aquele peso nos ombros saiu como se fosse tirado com um passe de mágica, acesso ao aplicativo aprovado, agora é preparar o que tem que ser preparado, deixar o carro limpo e cheiroso, pois a brincadeira parece “Black Mirror” (a série); com avaliações de tudo quanto é lado, seja do cliente, seja do usuário. Mas enfim, regras são regras e vamos correr para cumprir.

Aquela velha máxima de que sempre tem que dar uma merda, é válida em todas as situações, e não é pessimismo, é realidade. Nem bem tinha terminado de ler o e-mail da aprovação me atirei dentro do carro para mandar lavá-lo, chego no estabelecimento e só tem hora para o final da tarde, o temporal se armando e penso – incrível quando isso acontece rápido – que seria melhor deixar para o possante tomar banho no outro dia, no caso hoje – quarta-feira (22) – para já começar o dia limpinho e cheiroso como todo o trabalhador deste Brasil varonil e não correr o risco de levar uma chuva torrencial e amanhecer sujo. Aproveito então para ir ao mercado e comprar umas águas e balinhas, para deixar todo mundo feliz e ganhar cinco estrelinhas depois das corridas.

É quarta-feira então, e para quem acha que a merda foi não ter conseguido lavar o carro logo depois que a resposta chegou com a aprovação, te acomoda aí na poltrona ou onde tu estiveres lendo que a grande merda está por vir. Como sem emoção não tem graça, já diria um ex-gerente que eu tive (e que já contei a história), água gelada, balinha arrumada e lá vamos nós.

Como estava relativamente perto da hora de buscar os pequenos na escola – não, eu não sou tio da Kombi, os pequenos são meus filhos – resolvi ir até o estacionamento, ficar on-line e ver se teria algum chamado, mas já estava conformado que não haveria chamado algum, pois acredito que ali não seria de muita procura. Claro, estava errado, primeiro chamado, ansiedade e nervosismo subindo lá na puta que os pariu – ok, podia ser sem palavrões, mas escapou – e aceito a corrida. Prazo para chegar ao destino para pegar a primeira passageira em dois minutos, saio do estacionamento e quem disse que o GPS do celular funcionava? Fui olhando no mapa, sem o mesmo estar ativo e me dando a rota e quem me conhece sabe que localização não é o meu forte, pois ainda me confundo onde é a esquerda e direita e claro, cheguei com o dobro do tempo na cliente para busca-la.

Passageira no carro, os bons dias devidamente dados, destino final aceito e claro, nada do GPS do celular dar sinal de vida. O ar-condicionado no talo, o suor correndo e graças à Deus eu sabia chegar no destino final, mas dobrando a curva, o petardo:

“Mas como tu demorou para chegar, primeiro dizia (o aplicativo) em dois minutos, depois três e por fim levou quatro”, disse a cliente.

Na hora já vi as estrelinhas voando pela janela, mas enfim, me desculpei, disse que era o meu primeiro dia – que não é desculpa – e que ela era a minha primeira cliente. Passageira devidamente entregue, corrida finalizada, dinheiro recebido, a resposta chegou e o GPS do celular nada de voltar a funcionar. Chego de volta no estacionamento da escola dos pequenos, reinicio o celular e agora a coisa fica pior, estou em um ponto e o aplicativo informa que estou a três quilômetros de distância, simulo um trajeto, que de onde estava não levaria mais do que 10 minutos ao destino e o cálculo dá 54 minutos para chegar. Merrrrrda, com todos os erres!

Albert Einstein citando John Lennon: “fodeu”! E foi exatamente isso que pensei, além do clássico só pode ser brincadeira e porque pra mim as coisas não podem ser mais fáceis, fiquei cultivando quase uma semana uma úlcera com ansiedade da aprovação, a resposta chegou e tudo tinha para brilhar e dá essa merda com o celular, que diga-se de passagem, nunca funcionou direito o GPS. Vou fazer o que agora? Sem GPS para que serviria o aplicativo, sem os dois, a oportunidade que tanto queria para tentar me desatolar não serviria de nada. Resumo da ópera: comecei a brincadeira marchando com um celular.

Com isso, acabei perdendo a tarde para configurar, baixar o que tinha que ser baixado de aplicativos, carregar a bateria e, como tinha compromisso por volta das 17h, já tinha decretado o primeiro dia como um fracasso retumbante. Deixei a família em casa e não voltaria para o centro, afinal, “são 5,4 quilômetros”, né pai? Porém, a minha senhora – sempre ela – deu a ideia de ficar on-line em casa, vai que dê certo. E não é que deu certo, e mais uma vez tenho que dar o braço a torcer e dizer que ela tinha razão (que não leia isso), pois não fique dez minutos sentado em casa e a segunda viagem, o segundo cliente surgiu aqui perto de casa.

Me aprumei, tasquei umas balinhas e fui para a segunda corrida, com aparelho novo e mais confiante. A experiência é tudo, porra! Tudo certo, um casal gente boa e falantes, que estavam indo para a reunião de pais na escola dos filhos no centro da cidade. Da minha parte, cinco estrelas!

Estou voltando e voilá, terceiro cliente do dia à vista. Mais um casal, tão gente boa quanto ao deixado minutos atrás, destino a estação do trem, calor senegalês do lado de fora do carro, balinhas oferecidas e devidamente degustadas. Pagamento em dinheiro recebido, mais cinco estrelas para a conta do usuário (acho que estou sendo muito bonzinho), pois não tenho ideia se estou ganhando ou perdendo, se vou para o limbo ou para topo.

Não deu tempo de engatar a primeira marcha e mais uma chamada. E para alegrar o dia, com saída no mesmo lugar de onde chegou o casal ali do parágrafo a cima. Cliente já devidamente acomodada no carro, os boas noites dados e vamos que vamos ao infinito e além. Ops! Só levar a passageira com segurança ao seu destino está bom, não precisa emoções fortes, apesar de um filho de uma meretriz ter saído de uma garagem como se estivesse na preferencial e andando em uma freeway e quase que o prejuízo fica maior do que o celular. Só quem me conhece e eu sei o que me segurei para não abrir o vidro e xingar até a quinta geração do cidadão, mas elegância e educação é tudo nestas horas.

Depois de deixar a cliente em seu destino, resolvi que o primeiro dia foi de grandes emoções, prejuízos (ou melhor, vamos encarar como investimento) e que o melhor a fazer era ir para casa. Até porque, o destino final da passageira foi no caminho da residência.

Para o primeiro dia de uma nova oportunidade, acho que está bom, amanhã vamos tirar uma febre melhor de como realmente se comporta o mercado em questão, vamos atuar direto e sem surpresas. E claro, descobrir se realmente trabalhar rodando na rua gera boas histórias. Voltaremos!

 

 

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