QUER PASSAR VERGONHA? PERGUNTE-ME COMO!

            Quando você pensa que já passou todo o tipo de fiasco na vida, ela vem e te prova que você ainda tem mais uma cota de vergonha para degustar. E dessa vez foi em local que muitos jamais pensariam que eu estaria.

            Senta que lá vem história, pois tempo é dinheiro – não aqui, claro – vou contar os pormenores e a única coisa curta será o coice de porco ou a paciência. Inclusive já cansaram de me dizer que paciência é uma virtude e, quem já leu alguns textos aqui sabe que esse item não veio de série quando eu nasci. Pois bem, vou parar de enrolar e vamos lá.

            Depois de ter uma crise de coluna no último feriadão de primeiro de maio – Sofrenildo vai ter folga – onde fui me abaixar para pegar uma sacola plástica e não voltei à posição de um bípede da espécie humana normal, ou seja, quando conseguia caminhar era todo torto e com muita dor; depois de tomar uma bomba em forma de remédio para dor e, achando que depois de uns dias estaria 100%, na outra semana resolvi fazer aquela faxina básica, onde não consegui passar do banheiro e do escritório por causa da dor que voltou com tudo. Na segunda-feira resolvi procurar uma massagista. E antes que a imaginação dos menos desavisados pense que a profissional que me refiro é do ramo do entretenimento e prazer, afirmo que não foi.

            Hora marcada e lá me fui fazer uma “Massagem Desportiva Japonesa” com o pessoal da Clínica Pessoa e Saúde. Só eu sei como eu agradeço a minha mãe por sempre me orientar para não colocar cueca rasgada e velha, pois “o que vão pensar se um dia te acontece uma coisa”, dizia ela! Chegou a minha vez e por minha sorte e inconscientemente me lembrar das recomendações, antes de sair de casa tomei banho e coloquei aquela cueca nova, sem rasgo e sem marcas de freadas (os entendedores entenderão); e fui me deitar na maca só de cueca (e meia, pois aí já era demais tirá-las).

            “Não tenha vergonha, pode gritar” me orientou a massoterapeuta, pois “vai doer” e me olhou com aquele sarcasmo no rosto de quem em momentos faria este que vos escreve com 1,90m e XXX quilos gritar feito uma criancinha. Mas bem da verdade é que o meu maior medo não era gritar ou não, inclusive ri feito um idiota a cada vértebra colocada no lugar ou tendão posicionado como tem que ser, mas sim de cada apertão soltar aquela bufa. Em tempos de politicamente correto, nem bufa e nem peido, mas sim pum. Mesmo adotando a política do Shrek (melhor para fora do que para dentro), me comportei como um gentleman.

            Enfim, coluna no lugar, massagem paga e conselho de procurar fazer um reforço muscular urgente para caminhar ainda nos próximos 40 anos, resolvi tomar uma atitude e gastar o que não tinha e não podia. Saí da clínica todo pimpão, em pé novamente, e fui procurar a Top Centro de Treinamento Físico. Academia do amigo Fabiano Espinosa. Academia que outros amigos já tinham aconselhado, inclusive já tinha trocado alguma ideia com o próprio Fabiano, que já não acreditava muito que um dia iria me matricular.

            Já tinha começado a segunda-feira (07/05) bem e confiante que mudaríamos algumas coisas daqui para frente, começando a cuidar um pouco mais da saúde e saindo do ponto de inércia. Mas não vou negar que não é de todo mal ser titular no time dos sedentários, além do mais jogando na posição de preguiçoso nato. Mas isso já tinha data para terminar e seria na sexta-feira próxima, no caso a última que passou – dia 11 de maio – onde seria feito a primeira aula e avaliação.

            Não sou baú para guardar segredos, mas desta vez poucas pessoas sabiam dessa minha ida a academia, até porque e não me levariam muito a sério. Na quinta-feira de noite separei o material para o “Dia D”, calção (filho único, vou ter que comprar mais), tênis, toalha e aquela camiseta mamãe sou forte; que no meu caso não é porque estou bombadão, mas sim que é apertada mesmo. Mas quem ficou de cueca e meia na frente da massoterapeuta, isso seria fichinha de passar.

            É sexta-feira, dia de começar a batalha acordei, trabalhei até horário da avaliação (10h), mas antes pensei: “vamos colocar uma coisa no estômago e nada melhor do que uma maça”. Fui à fruteira, investi setenta centavos na fruta para colocar alguma coisa no estômago e partiu Top Centro de Treinamento. Chego lá e o professor achou que eu já tinha feito avaliação, disse que não e notei que estávamos com um impasse – seria um aviso para não largar o sedentarismo (?) – pois o professor tinha uma aluna de personal em seguida. “Não tem problemas, marcamos para outro dia”, pensei. O que menos queria era atrapalhar a vida e funcionamento da academia; já estava pensando que sairia de lá para comemorar o adiamento com um refresco a base de cola bem gelado quando fui carinhosamente chamado a realidade pelo professor, que com palavras educadas e motivacionais, falou:

            – Mas já está com desculpas, vai te trocar que já estamos perdendo tempo.

            Sendo assim, soldado que vai para o front é porque quer guerrear. Missão dada é missão cumprida e obedeci. E se você acha que estar de cueca e meia em cima de uma mesa de massagem era a vergonha do mês, só digo que tu não sabe de nada, inocente. Começamos a peleia: foram dez minutos de esteira só para soltar a musculatura e balançar as gorduras. Agora vamos para os exercícios propriamente dito, primeiro aparelho com o peso ideal para uma criança puxar; segundo aparelho, terceiro; série um, dois; sobe escada três vezes, três séries e não me aguento e sou obrigado a lembrar que sou sedentário, mas isso sem deixar de suar como se tivesse saído de uma chuveirada.

            Daqui a pouco, Deus é mais, começo a tremer. Não satisfeito o meu corpo resolve que tremer e suar é pouco: “vamos fazer esse gordinho ficar enjoado e com ânsia de vômito”! Larguei o aparelho, deixei cair toalha e garrafa d’água e disse que estava passando mal. Segurando-me para não me estatelar no meio da academia – que por sorte (tenho que ganhar uma) não estava cheia – mas já era ponto de referência mesmo, como qualquer gordo, agora tinha virado atração. Não sei se a torcida era para eu me estatelar no chão ou estavam contando qual é o tempo que levaria para vomitar.

            “Senta ali e não fique perto da janela”, disse o professor. Será que estava com medo de que eu caísse do segundo andar? Melhor prevenir do que ligar para o IML. Tomou café da manhã foi à pergunta do Alex e de pronto respondi que tinha comido uma maça às 9h40min da manhã, antes de vir para academia. Única refeição desde o dia anterior. “Ainda bem que tu não comeu banana, se não tinha vomitado nos meus pés”, carinhosamente foram as palavras de incentivo do mestre.

            Sentadinho em um aparelho, branco como um papel e tremendo mais que guri cagado quando apronta, a única coisa que me lembrava estar em uma academia era o suor; no mais, estava louco para sair de lá. Estava eu lutando contra avisos de que uma vez no time dos sedentários, sempre no time? Não sei, o que sei é que daqui a pouco apareceu um pedaço de paçoquinha e não tardou para vir duas bolachas recheadas a qual comi com gosto. Fiquei esperando o refrigerante, mas esse não veio. Talvez por ter sido o primeiro dia de academia, essa regalia é só para os veteranos.

            Por via das dúvidas, vou passar por cima dessa vergonha, a qual deverá ficar marcada no meu histórico e, na segunda-feira, estarei na academia novamente. Na esperança, claro, que dessa vez não seja apenas um pedaço de paçoquinha e nem duas bolachas recheadas, mas sim, no mínimo, um pacote de bolacha e uma lata de refrigerante. Agora eu sou atleta, porra!

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