JUNHO: DUAS PAIXÕES

O mês de junho desperta duas paixões, dois sentimentos distintos: o nascimento, a celebração da vida; mas também da perda, da impotência diante da morte.

Quando celebramos a chegada do mês que dá início a uma das melhores estações do ano, para mim, claro, que é o inverno, do frio e da sensação de aconchego – diga-se de passagem, rascunho este texto sentado no sofá, com os pés para cima, envoltos em uma coberta e curtindo o sol entrando pela janela, para amenizar os 10ºC que fazem lá fora – também me lembro das coisas boas e não tão boas que marcaram a minha vida. Foi em 12 de junho, do século passado, mais precisamente em 1978 que nasci. Logo, aniversário desperta amor e ódio para algumas pessoas. Minha esposa não gosta, eu já curto bastante e me animo por demais em comemorar essa data. Este ano entrei na casa dos 40 anos (fica a dica para quem ainda não me cumprimentou), talvez daqui para frente eu comece a reavaliar esse sentimento.

Foi no dia 19 de junho, agora neste século, no ano de 2010 que nasceu o meu caçula, o “Vafa”. Um carinha carismático, de temperamento forte e de uma alegria contagiante. Só não é tudo perfeito porque ele teimosamente resolveu puxar a avó materna e ser torcedor colorado (quase) fanático. Esse deslize poderia ser entendido como uma afronta ao pai gremista, mas deixamos passar. Afinal de contas, filho é uma benção e que não tem como explicar este sentimento para aqueles que não os tem.

            E não, cachorro e gato não são filhos, logo, não há como comparar. Obrigado!

Mas voltamos ao que interessa (ao menos para mim e, talvez, para aqueles que me acompanham até aqui). É neste mesmo mês de junho, que tinha tudo para ser só comemorações, que também assola dois piores sentimentos: perda e a dor da saudade causada pela primeira.

E sei lá porque cardas d’água quis o destino que fosse neste mês que perdêssemos duas pessoas queridas, insubstituíveis e referência; pela mesma doença: minha mãe e minha sogra. Meus filhos perderam as avós tão cedo, foram privados do convívio e aprendizados de pessoas ímpares, de conhecimentos que só avós possuem e que são de extrema importância no crescimento deles como seres humanos.

A perda da minha mãe não foi tão sentida, mas nem por isso menosprezada, pelos meus filhos; pois eles eram muito pequenos e o caçula, em específico, não se lembra dela (e isso dói). Em compensação, jamais vou esquecer-me daquele 17 de junho, à noite, quando chegamos em casa depois do velório e damos a notícia para os meus filhos que a vovó, minha sogra,  tinha virado estrelinha. Foi como se largasse uma bomba no colo de crianças que tiveram um dia diferente, na casa de amigos e sob qualquer desconfiança do que estava por vir.

São aprendizados que devemos ter, jamais vamos conseguir deixar o sentimento da perda em um canto esquecido; por outro lado, há tantas outras coisas que nos fortalecem e nos ensina. São por estas e por outras, que desde 2010, o mês de junho jamais foi o mesmo. Desperta sentimentos distintos, mas fortes e intensos.

Que venham mais junhos, de aprendizados, mais alegrias que dor. Assim seja. A minha mãe e minha sogra, que olhem por nós aqui, não sem antes se sentirem amadas e com a certeza que fizeram um lindo “trabalho” quando aqui estiveram.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s